Quanta emoçao!Depois de acomodada em casa, minha filha me apresentou a fundaçao Pere Mitjans onde conheci as pessoas que trabalham com ela. Fui recepcionada por um coro de vozes me chamando "Moniiiih" (é como ela me chama), bandeirolas espalhadas na sala com os dizeres "te quiero Monih","La hechamos de menos", "Bienvengut"... nao preciso dizer... mais um dia inteiro chorando de emoçao!
Devidamente acomodada eu e meus sentimentos, sobrava a dor! Que dor! Ainda mais no friozao que estava fazendo aquele Fevereiro (claro, para uma tropicana o frio estava de arrasar!). Minha filha talvez até por me ver sofrendo, logo eu que nunca sentia nada, tinha o maior pique, aquelas coisas...logo eu, prostrada e derrotada por uma enfermidade que eu sabia que se iniciava porem pensava que estando em tratamento, regridiria ou pelo menos estabilizaria...
Doce ilusao!
Parece que só piorava, eu já deprimida e acusando o frio europeu, me mandei pra Florida! Era uma forma de olhar de longe a minha nova situaçao morando de novo com minha filha, avaliar o que eu realmente sentia pelo Jim e medir o quanto as temperaturas mais baixas influenciavam na minha dor. Passei lá 23 dias e realizei que sim queria viver com minha filhota, que sim o sentimento por ele era forte e verdadeiro, e que realmente o frio piorava minha dor... e agora que fazer? Acordamos entre outras coisas (Jim e eu) que eu voltaria pra viver com ele no final daquele ano, pois entao já teria passado um 8 ou 9 meses com minha filha, dado a ela um certo apoio emocional (ela estava recem separada do marido e sofrendo muuuuito!), encontraríamos um trabalho pra eu fazer em SouthHampton no verao e iríamos nos falando via email e telefone. Na despedida ele, sempre muito carinhoso me disse, entre outras coisas, que iria sentir muito a minha falta... pois depois disso poucas vezes nos falamos... ele nao acredita na possibilidade das pessoas irem e virem, na manutençao do sentimento à distancia, no amor em geral, alem de dizer que nunca foi amado; imagino que ele nunca permitiu e tampouco sequer alimentou um amor...!
Apesar de eu insistir tremendamente, a comunicaçao com ele foi esfriando... e eu decidida a tocar minha vida neste ano conforme eu havia planejado, afinal o movimento sofrido que fiz teria um ciclo e eu queria vive-lo. Dia vai, dia vem, a fila andou e conheci um cara bacana que me proporciona momentos agradabilissimos e assim fui esquecendo o Jim... ai...Nesse tempo minha qualidade de vida estava péssima: andar até a esquina era longe demais pra mim! Passear pela cidade? nem pensar! Sair de compras e provar roupas? morria de dor! Ir pra praia? só se fosse levada na moto! Andar na praia? impossivel! Dançar? só em sonhos! Nem dormir mais eu conseguia de tanta doooooor!!!Entao foi aí que descobri um cisto na virilha e pensei: é ele! ele é a causa das minhas dores constantes; volto ao Brasil, minha medica me opera e eu vou ser feliz novamente!!!Sei...Entao tá....
Uma decisao radical, difícil de ser tomada pois envolvia outras pessoas; um segundo divorcio! Um divorcio do meu lar, das minhas coisas, do meu espaço, do meu bairro, da minha cidade... uma separaçao de mim mesma! Por mais que a gente queira se separar de uma pessoa ou de algo que a gente por um período um dia amou, como doi!!! Uma dor de perda, de morte, de arrancar um pedaço de voce... o medo do novo, a coragem pra recomeçar, a infinita tristeza que te dá nauseas, a dúvida em estar sendo profundamente egoista, a certeza de merecer viver em paz o que resta da sua vida, a esperança de se sentir melhor e aliviada, o desespero por nao saber como tudo isso vai acabar... uma mistura de emoçoes que marcam seu rosto e traduzem suas açoes...
E... como meu Deus é possível colocar uma vida de 50 anos em duas malas de 30 kgs? Missao impossível....
Afinal, depois de dar PT (perda total) tres dias antes de embarcar, tendo entrado em crise de artrose por todo o movimento que eu estava fazendo física e espiritualmente; de deixar meu filho louquinho pelo meu desespero evidente, sempre contando com o otimismo dele a me mostrar o quanto corajosa eu estava sendo consegui embarcar. Ainda em choque, tomei uma dose de vinho e adormeci profundamente, esgotada. Quando o piloto avisou que nos preparavamos para aterrizar em BCN, uma crise de choro se instalou e só foi passar depois do quarto dia na cidade.
Minha filha nao entendia por que eu chorava tanto por tudo!!!
Pudeeeeera! chego emocionada no aeroporto depois de oito meses sem ver minha filhota e em choque por toda a mudança que fiz que quando deixo a mala do computador no chao para abraça-la, levam o dito cujo alem, claro, da maquina fotogafica que estava junto... Roubaram minha comunicaçao com o mundo! Socooooorro!!!!
Minha filhota me leva pra casa, o ape que vamos compartir (depois de deixar o meu apartamento de 140 m2 nos Jardins em Sao Paulo, onde eu vivia só
e toda esparramada, com faxineira duas vezes por semana, meu cachorro, meu carrao na garagem...). Eu já conhecia o apto e sabia que o meu quarto seria o menorzinho do ape, mas quando vi o tal quartinho tooooodo arrumadinho, decorado especialmente pra mim, em cores laranja e vermelho, super aconchegante, com tuuuudo o que eu precisava! Liiiiindo!!! olha só: agenda 2006, luz para leitura noturna, luzinhas vermelhas em volta da porta, travesseiro macio, armario e gavetas pra eu guardar minhas coisas, mapa do Metro e guia da cidade, fotos nossas espalhadas na estante, quadro na parede e ate...um celular novinho e já funcionado!!! Acredita??? Bom... continuei chorando a tarde e a noite toda sem parar, de tanta emoçao!!!
Eu ja deveria ter feito isso antes, mas de verdade na vida da gente acontece taaaantas coisas que algumas a gente vai deixando, deixando e quando vê ja se passaram um tempao e... bom... Nada de lamurias, e ao trabalho!
Domde mim...por que?
Primeiramente para me situar "donde" ou aonde ou de onde ou sobre o que vou discorrer; segundo pra falar de um "dom" , e "de mim..."
Há alguns anos tive a oportunidade de fazer uma linda viagem, por indicaçao de amigos que me conheciam bem, à California, e lá passei quatro meses estudando ingles e mergulhando na vida americana, morando em uma casa vitoriana liiinda, com um casal típico e passava todas as horas do dia e algumas das da noite com um grupo de oito estrangeiros de diferentes países que faziam as mesmas coisas que eu, porem eram bastante mais jovens... estudavamos, lanchavamos, iamos à bibliotecas, discotecas, concertos, fazer compras, viajar os finais de semana pelos arredores em bici ou automovel, todos ansiosos por aprender, descobrir e todos distantes da sua casa e dos seus, carentes até! Foi uma experiencia ótima, aprendi com eles (até hoje estou em contato com alguns)... foi tao bom que defini pra mim mesma que um dia iria viver num outro país para continuar as descobertas que tinha ali começado!
E assim foi... no final do ano de 2001 fui tabalhar nos EEUU numa filial da empresa de Sao Paulo e eu a d o r e i ! Passei por situaçoes bastante interessantes, reencontrei pessoas queridas, conheci outras, e tive o prazer de cruzar meu caminho com o de uma pessoa muito querida, a qual vim a amar...
De novo... um estrangeiro !!! Ui...que sufoco! Minha mae me ensinou, anos antes, a rezar e pedir a Deus uma pessoa cosmicamente harmoniosa comigo... pois... de novo eu me esqueci de acrescentar no pedido o endereço!!!!!!
A distancia, a falta de intimidade psíquica, a diversidade de culturas e os costumes... tao diferentes! Como é difícil ceder, entregar- se inteiramente... realmente um desafio! Por esses costumes taaao diferentes, por racionalismo extremado e muita dificuldade operacional, de novo, esses amores nao atravessaram os oceanos definitivamente, cada um optando por ficar no seu entorno já conhecido!
Bom? Ruim? Melhor assim? Covardia? Amor nao verdadeiro? Conformismo? Sei lá, nao sei... pois assim foi... e... logo depois resolvi virar a mesa totalmente e ir viver na Europa, desta vez com minha filhota querida, minha menina caçula, minha raspa de tacho, minha menininha deixando no Brasil com lagrimas de sangue meus dois filhotes, meus netinhos, minha mae, minhas irmas queridas, sobrinhos, amigos íntimos e nao tao íntimos mas todos muuuuito queridos!
Afinal, depois de oito ou nove anos eu estava realizando outro dos meus desejos: morar e viver fora do Brasil, na Espanha ( nunca diga nao! ) donde escrevo pra contar ...